domingo, 30 de julho de 2017

De distâncias e de saudades – território do tempo

Por Marcos Pinto

“O passado não é aquilo que passa, mas aquilo que fica do que passou”. (Alceu Amoroso Lima)

Nada mais   agradável e instigante do que flagrarmos   filigranas de nossos   hábitos tão antigos quanto bons.  Nesse desiderato, percebemos que somos reduto de observações notáveis, constitutivas   de fomento para o descerrar das cortinas de um futuro promissor.
Entremeando, surge   a incontestável   certeza de que as distâncias da   vida nos impõe saudades dos nossos entes, dimensionadas pelos sublimes liames do mais intrínseco e intenso bem-querer.

A sucinta abordagem dessas complexas distâncias do tempo revela lances de inéditas descobertas para solução dos temais mais variados. Oferece contribuições notáveis em problemas complexos ainda não resolvidos.   Quando Deus criou o mundo, com certeza deixou o seu veemente DNA intrinsecamente vinculando às distâncias e as saudades.

Não adianta pegar morcego nas asas do tempo, sem bater a macega nos arredores da alma.  Diante o terrível quadro de incerto futuro, resta um entalo na garganta, dominado por um certo sentimento de pavor.  O inflexível distanciamento entre o passado dolente e o presente escurecido e estático impregna-se uma rubrica de incréu da pior espécie.

Entre a prevenção e a cautela há uma   imensurável gama de circunstâncias extraordinárias, que nos arrebata   para uma refrega entre as experiências insofismáveis do passado e as encrencas do presente.  Nenhum de nós sairá dessa enruga   sem levar inequívocos   sinais   da peleja.  Esse caldeamento existente entre as distâncias e as saudades forjou em   nossas   individualidades uma espécie de heroico   D´Atanam   sertanejo, cheio de estranho e incontrolável sobresso.

A jornada empreendida entre as paralelas da distância do tempo e a saudade calma e silente deixa-nos   enlouquecidos de esperança. É certo que esse perlustrar por atalhos muito fechados incute-nos um pavor que reclama a adoção de estratégias de prevenção.  Pululam almas danadas em rincões que apontam saudades irrefreáveis.

As lutas da vida reclamam um intenso pastoreio dos rebanhos de nossas   tentações   materiais, norteando o azimute das avaliações.  É nesse território do tempo que a escola da vida roteiriza um alicerce para a vida, impregnando qualidades   da têmpora do caráter, que mais tarde configurará um legado como um grande   patrimônio moral.  Quando perambulamos por alegre ócio estamos validando o próprio   retrato do nomadismo com DNA do   dom da ubiquidade.

O território do tempo revela   uma mobilidade espantosa, catapultando poetas das solidões noturnas e do abandono das horas esquecidas.  Por que não reconhecer que, nesse contexto, somos como uma espécie de príncipes da saudade, sem amor e sem trono.  Passamos indiferentemente pelas sombras de nossas recordações nada evocadoras.

Por que não entoar canções sentimentais, cheias   de ternuras e de enamoradas esperanças? Assombra-me a certeza da noite sonolenta e fria do meu desfecho existencial.  Lá pelos dias mais ou menos distantes, alguém há de lembrar de alguma minudência que fixou o meu nome antes do meu último sol   se por.

Temos o majestoso senhor do Tempo   empunhando a espada das nobres causas, enfileirando-nos marcialmente como fidalgos empobrecidos e orgulhosos, altivamente desocupados.

Somos insistentes na pobreza, apenas escapando a vida.  Em momentos vários somos imaginosos, cheios de inventivas, cínicos para sobreviver à má sorte.  Também sem a nossa hora, essa hora que nós próprios escamoteamos, burlamos, evitamos, enganamos, conspurcamos. Por isso que somos, ao mesmo tempo, patéticos e estoicos.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor.

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